segunda-feira, junho 06, 2016

Conquistar uma garota genuinamente cristã não é fácil

Queridos leitores, peço desculpas pelo tempo entre a escrita deste texto e a do anterior. Devido a alguns compromissos na igreja e na universidade, ficou difícil escrever e esclarecer as dúvidas que surgiram.

Algumas pessoas acharam que o artigo anterior estava com problema, ou que eu havia esquecido de pôr o corpo do texto. Mas, na verdade, o texto consistia apenas nos três pontos mesmo. A minha ideia era de que conquistar uma garota genuinamente cristã não é fácil. Não há fórmulas ou artimanhas para que se entre num relacionamento (verdadeiramente) cristão. Não estamos falando de presas; estamos falando de servas de Deus. Espero que a maioria dos leitores tenha pelo menos refletido sobre essa questão.

Com o intuito de que pensemos adequadamente sobre os principais aspectos que permeiam a questão do namoro e do casamento cristãos, a partir desta semana eu irei fazer algumas postagens (a priori três) sobre o tema (prometo que não serão apenas três pontinhos :-) ). Vale ressaltar que provavelmente a maioria dessas postagens consistirá em traduções de artigos de outros irmãos.

Que Deus seja glorificado. Até a próxima.

terça-feira, maio 10, 2016

O cristão introvertido

O seguinte texto de Tim Challies foi escrito em janeiro de 2013 (original aqui). Ele aborda a questão da introversão de maneira interessante, e tanto eu quanto o irmão Victor entendemos que ele pode ser de grande valia para todos nós.

Que Deus seja glorificado.

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Quando 2012 chegava ao fim, blogs e meios de comunicação rapidamente foram dominados por dicas dos melhores livros do ano. Um dos livros que eu vi em muitas daquelas listas foi o de Susan Cain: Silencioso: O poder de introvertidos em um mundo que não pode parar de falar. Ele é um livro que eu já estava desejando ler durante o ano inteiro, até que finalmente baixei a sua versão em áudio e o ouvi nos feriados. Foi uma experiência interessante para mim e me proporcionou muitas oportunidades para reflexão e autoexame. O que escrevo hoje não é uma resenha do livro, e sim mais uma reflexão sobre seu conteúdo - uma reflexão sobre o cristão introvertido. 

Não há dúvida de que sou um introvertido. Se pusermos introversão e extroversão em lados opostos de uma reta e dissermos que cada um de nós cai em algum lugar entre os dois extremos, eu estaria bem longe do centro, em direção ao lado introvertido da escala. Posso não estar tão além do centro como algumas pessoas, eu ainda gosto de alguma exposição a milhares de pessoas, mas no íntimo eu adquiro energia e perspectiva na solidão e então eu a gasto em uma multidão. A minha reação padrão diante de uma multidão é correr para encontrar um lugar de tranquilidade. Amo e gosto de pessoas, mas lido melhor com pequenos grupos do que com grandes. Mesmo depois de muitos anos falando em público, estar diante de uma multidão ainda toma bastante esforço e exige renúncia. Eu ando em direção à frente de um salão devagar e, quando termino, volto rapidamente para trás. 

Silencioso fez com que eu entendesse melhor acerca de mim mesmo. Em algumas maneiras, Cain apresentou-me a mim mesmo. Eu tive todos aqueles tipos de momentos de "Aha!", onde as coisas que eu pensava há tempos, ou sentido repentinamente, fizeram sentido. Foi refrescante. Contudo, à medida que eu avançava na leitura, achei que isto estava inesperadamente fazendo algo profundo no meu interior. Comecei a sentir um tipo de paz com minha introversão que pode ter ido um pouco longe demais. Até mesmo Aileen [esposa do autor] notou isso em mim e o destacou. Ela notou que eu comecei a me sentir justificado em fugir de multidões e estar sozinho. Ela disse que eu estava me tornando egoísta. 

Creio que Deus me fez introvertido. Parece claro que alguns de nós são mais desinibidos enquanto outros são inclinados naturalmente a serem calados. Eu sou introvertido de natureza e isto é parte do bom projeto de Deus. Um não é inerentemente errado nem é intrinsecamente melhor que o outro. Mas o que Cain não reconhece, escrevendo de uma perspectiva secular como ela o faz, é que nós habitamos num mundo de pecado onde qualquer peculiaridade ou qualidade pode ser usada para fins que glorificam a Deus ou para fins de autoglorificação. Não apenas isso, mas Deus nos chama para estarmos sempre dispostos a negar nossos desejos a fim de servir a outros. Tanto introvertidos quanto extrovertidos enfrentarão tentações particulares para pecar. A minha tentação como um introvertido é de rapidamente distanciar-me de pessoas ao invés de servi-las. É ser egoísta ao invés de altruísta. 

A vida cristã é uma vida de renúncia. É uma vida de dizer, "Ainda que isto seja o que eu quero, o dever me leva a fazer algo diferente." Há muitas vezes que nego meus próprios desejos a fim de servir os outros. Até mesmo o desejo de estar sozinho. David Powlison trata disso bem: 

"A vida cristã é um grande paradoxo. Aqueles que morrem para si, encontram a si mesmos. Aqueles que morrem para seus desejos receberão muito mais nesta era, e, na vindoura, vida eterna (Lc 18.29). Eles encontrarão novas paixões pelas quais é digno viver e morrer. Se eu desejo felicidade, receberei miséria. Se eu desejo ser amado, receberei rejeição. Se eu desejo significado, receberei futilidade. Se eu desejo controle, receberei caos. Se eu desejo reputação, receberei humilhação. Mas se anseio por Deus e Sua sabedoria e misericórdia, eu receberei Deus, sabedoria e misericórdia. Durante o caminho, cedo ou tarde, também receberei felicidade, amor, significado, ordem e glória." 

Eu não tenho nenhum direito de desejar a solidão introvertida. Em vez disso, o evangelho me leva a negar até mesmo essa característica e todos os seus desejos a fim de servir outras pessoas. Eu sou introvertido, porém isto não me dá um chamado diferente na vida em relação aos cristãos gregários [que vivem em grupo]. 

O que tive de enfrentar enquanto ouvia o livro Silencioso é que introversão é o que eu sou, não quem eu sou. E isto é onde a discussão de introversão e extroversão geralmente parece tomar um caminho errado. Nós elevamos tanto essas características e as utilizamos para justificar o egoísmo em vez do altruísmo. Tenho de ser cauteloso ao me definir em categorias não bíblicas. Isto não é dizer que é errado falar que sou introvertido, mas que esta é uma distinção que a Bíblia não faz. Sendo este o caso, eu não quero permitir que a introversão me defina ou dite o meu comportamento. A introversão é uma descrição útil, mas também uma definição pobre. 

domingo, maio 08, 2016

Filho de cada mãe: uma reflexão sobre o dia das mães

O seguinte texto de Douglas Wilson foi publicado ontem no Desiring God (original aqui). Ele é uma reflexão interessante sobre o Dia das Mães.
Parabéns a todas as mães dos leitores deste blog.

Que Deus seja glorificado.

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Um dos grandes mandamentos na Escritura, e o primeiro com promessa, é o mandamento para honrar pai e mãe. Filhos e filhas são chamados para este privilégio e responsabilidade, mas vale a pena notar que ambos precisam prestar pelo menos metade de sua honra em um território alienígena.

Quando um homem honra seu pai, ele está honrando o que ele espera se tornar um dia. Quando seu pai considera seu filho, ele lembra como ele era. O mesmo é verdadeiro acerca de uma mulher honrando sua mãe, e de uma mãe relembrando o que foi ser uma garota. Mas quando uma mulher honra seu pai, e um homem honra sua mãe, ambos estão andando pela fé honrando um mistério.

Comece na fonte 

Uma das coisas que este tipo de honra faz é criar uma declaração profunda de dependência. Para a mulher sábia, sua reflexão volta para as primeiras páginas de Gênesis, em que a primeira mulher foi tomada da costela do primeiro homem. Mas para o homem, a Escritura o relembra de realidades mais próxima do lar. Ele provavelmente lembra de seu próprio aniversário e de honrar a mulher particular a qual o deu à luz naquele dia.

"Todavia, nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor. Porque, como a mulher provém do homem, assim também o homem provém da mulher, mas tudo vem de Deus" (1 Co 11.11-12).

Mulheres geralmente não são independentes do homem, Paulo argumenta, porque a primeira mulher mulher foi feita a partir do primeiro homem, mas seu raciocínio é diferente indo em outra direção. Cada homem não é independente da mulher porque ele nasceu de uma mulher particular. Toda mulher foi representada pela sua mãe Eva e portanto tomada de Adão. Porém todo homem foi conectado a uma mulher individual  em uma maneira íntima.

E aqui nós podemos ver como o relacionamento de um homem com sua mãe é determinante em outros relacionamentos. Paulo está discutindo a relação de homem e mulher juntos, marido e mulher, e ele está dizendo aos maridos que o segredo para um correto relacionamento com sua esposa é ter um correto entendimento do relacionamento com sua mãe. Se você quer que a água seja limpa, comece na fonte.

Para que te vá bem

Não poucos problemas do casamento iniciam com o fato de que o marido não honrou sua mãe da maneira que ele deveria. Isto também se estende nos relacionamentos confusos que muitos homens têm com suas filhas. Se um homem não reconhece a sua dependência em relação à sua mãe, ele terá dificuldade para reconhecer o tipo de dependência que ele deve ter em relação à sua esposa.

Nós devemos retornar ao fato de que o quinto mandamento é um mandamento com promessa. Qual é a promessa? Em Êxodo 20, isto é posto desta forma: "Honra a teu e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá" (Êx 20.12). A citação de Paulo disto é expressada desta maneira: "para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra" (Ef 6.3).

Que vivas muito tempo. Para que te vá bem. Agora onde será a maior parte deste derramamento de bênção? Onde será que muito disto tomará lugar? A resposta é obviamente na vida que um homem vive com sua família, com sua esposa, com suas filhas, em torno de sua mesa de jantar. 

Dê honra genuína a ela

Muitos cristãos que cresceram em lares problemáticos têm concluído falsamente que se eles apenas  descerem suficientemente o caminho para longe de seus familiares, então a alegria simplesmente irá misteriosamente reaparecer. Não, o que geralmente acontece é que lentamente, imperceptivelmente, inexoravelmente, todos os velhos padrões começam reorganizar-se e reproduzi-los em um novo local.

É por isto que o Dia das Mães é uma oportunidade maravilhosa para prestar genuína honra que é muito mais que a propaganda exige nós. Se nós apenas lançarmos mão do cartão de homenagem superficial, ou o obrigatório buquê de flores, então nós estamos perdendo o sentido.

Agora quando eu digo que uma celebração de algo como o Dia das Mães é escriturístico, como eu o digo, eu não estou estendendo isto aos costumes particulares. Nada na Escritura requer uma data particular no calendário, ou dar rosas ao invés de tulipas, ou um cartão no lugar de um presente. Nós estamos atrás do princípio, não do método. A Escritura não dita que método particular nós usamos, mas ela requer que tenhamos um método.

Uma vez que tenhamos identificado aquele método, estamos a prestar honra àquela pessoa que Deus usou para nos dar nossa maior bênção terrena.
Todavia, nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor.
Porque, como a mulher provém do homem, assim também o homem provém da mulher, mas tudo vem de Deus.
1 Coríntios 11:11,12


sábado, março 05, 2016

Os perigos de uma visão ingênua sobre o namoro cristão

"E dizia: O que sai do homem isso contamina o homem. Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as fornicações, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem" (Mc 7.20-23).

O namoro cristão é o início de uma árdua jornada. Ele não é um simples meio para o jovem casal ganhar inúmeras "curtidas" e receber muitos elogios nas redes sociais. Tampouco, ele é o meio pelo qual simplesmente afirmamos a nossa sexualidade - para que nossos pais e amigos testemunhem de que não somos "frouxos". Os passeios, as pizzas e os cinemas são coisas legais, mas eles estão longe de ser o sentido do namoro cristão. Na verdade, este é o início da jornada de um jovem e sua amiga rumo à cidade celestial; jornada esta, que eles decidiram percorrer juntos, compartilhando das alegrias e das dificuldades que os aguardam.

O jovem deve estar disposto a se submeter a Deus a fim de ser forjado por Ele e Sua Palavra para o difícil ministério de liderar a sua casa, amar a sua futura esposa como Cristo amou a igreja e a trabalhar exercendo os seus dons para a glória de Deus. A jovem, semelhantemente, deve engajar-se diante do Senhor para ser mulher sábia, virtuosa, que se submeterá ao seu futuro marido, no Senhor, e que servirá a Deus com uso de seus dons tanto na boa educação de seus filhos quanto em outras atividades que Ele colocar em suas mãos para fazer. 

Embora saibamos que a família cristã está há muito sob fortes ataques satânicos, seja por meio da sedução ao adultério, à infidelidade ou à falta de submissão à santa Palavra de Deus, precisamos nos prevenir dos perigos que estão logo no início deste caminho vivido a dois, os quais geralmente são oriundos de uma visão ingênua acerca do namoro.

1) O perigo de achar que não há perigo

Um dos principais problemas que assolam o namoro cristão é a ideia de que o jovem casal é puro - em um sentido infantil. No Facebook, já visualizei fotos de namorados em que a garota está sentada no colo do rapaz e as pessoas comentam "casal abençoado", "lindos!",  "que Deus continue abençoando vocês" e por aí vai... Esta espécie de comentário de aprovação por parte de terceiros demonstra a falta de conhecimento acerca da realidade de nosso próprio coração. O Senhor Jesus nos ensina que os maus pensamentos provêm do nosso interior. Nenhum de nós, pecadores, está imune a isso. Mesmo o casal mais "fofinho" e "santo" precisa vigiar o coração, certo de que nele há um potencial imensurável para a prática do mal, de modo que isto faça com que ele fuja de situações que o leve a pecar.

2) O perigo de achar que é possível "ir só até o limite"

Todo homem precisa conduzir a sua esposa em caminhos que não a leve ao pecado, e isto precisa ser aprendido logo cedo pelo jovem namorado. Há situações em que ambos se sentirão tentados a brincar com suas paixões, em busca de se manter à beira de seus limites. Se porventura você, caro jovem, encontrar-se em circunstância semelhante a estas, mude-a rapidamente. Não queira saber até onde você pode ir e não pecar (lembre-se de que a loucura também é proveniente de nosso coração).

3) O perigo de achar que o amor é cego

Deus tem o propósito de nos santificar e fazer com que amadureçamos em nossa caminhada cristã, e ele usa de maneira especial o nosso futuro cônjuge neste processo. Talvez um dos membros do casal seja propenso à preguiça, ao atraso nos compromissos, ou até mesmo seja tentado a inventar desculpas para evitar o arrependimento por seus erros. O casal precisa tratar disso. Isto não é brincadeira. É necessário que os jovens namorados aprendam a conversar sobre suas lutas e a apresentar um ao outro diante do Senhor em oração. Se um dos dois não consegue ver falha alguma no outro, mesmo depois de alguns meses de namoro, é bem provável que este relacionamento seja marcado por idolatria e falta de discernimento bíblico.

Que Deus nos ajude a sermos vigilantes contra esses perigos.

quinta-feira, janeiro 28, 2016

Dica de leitura: Evangelho Explícito

 

O livro Evangelho Explícito (editora Fiel) foi escrito por Matt Chandler (em colaboração com Jared Wilson). Ele contém 266 páginas muito bem escritas e é uma ótima sugestão para compor a sua meta de leitura de 2016.

O Evangelho Explícito divide-se basicamente em duas partes principais: o Evangelho no chão e o Evangelho no ar. A primeira está relacionada com a questão mais pessoal do Evangelho e trata dos temas "Deus", "Homem", "Cristo" e "Resposta". A segunda parte principal do livro aborda os temas "Criação", "Queda", "Reconciliação" e "Consumação", de maneira que o Evangelho no ar tem a ver com o aspecto mais abrangente do plano de redenção providenciado pelo Senhor. 

Estas duas perspectivas do Evangelho são analisadas ao longo do livro de modo simples, prático e, ao mesmo tempo, bastante teológico. Matt Chandler é um pastor relativamente novo, e possui um bom senso de humor. Entretanto, de modo nenhum, isso torna o livro menos grave quanto ao ensino do Evangelho - até porque ele usa algumas expressões engraçadas em trechos específicos de sua obra. Na verdade, a maneira utilizada por Chandler nos leva a entender verdades profundas de modo fácil. Por isso, o livro pode ser lido facilmente por pessoas que tiveram pouco contato com a Palavra de Deus.

Este é o ponto central do livro: ensinar o verdadeiro Evangelho tanto a pessoas que cresceram em um ambiente de igreja, participando de corais, escolas dominicais, retiros e inúmeras outras atividades de igreja, quanto a pessoas que nunca sequer participaram de um culto cristão, mas que possuem em comum o fato de não terem ouvido as Boas Novas de Jesus. Muitos talvez até tenham tentado fazer o melhor deles para que Deus sorrisse para eles, ou então tenham brincado de "eu faço isso e o Senhor me abençoa". Mas a verdade é que a transformação operada por meio do genuíno ensino da Palavra nunca ocorreu em suas vidas legalistas.

Após abordar os Evangelhos no chão e no ar, Chandler ensina uma série de aplicações e implicações de ter o Evangelho como um todo em vista, evitando a supervalorização do aspecto pessoal do Evangelho (no chão) ou de seu aspecto universal (no ar). Dentre estas, o autor mostra como as heresias geralmente surgem de verdades bíblicas que foram valorizadas demasiadamente, em detrimento das verdades que as mantêm em equilíbrio (por exemplo, o Hipercalvinismo é uma ênfase demasiada na soberania de Deus em detrimento da responsabilidade humana). Ao fim desta parte do livro, Matt Chandler fala sobre moralismo e Evangelho - é um dos capítulos mais marcantes de todo o livro. 

Para que você tenha noção do que estou falando, eu separei os seguintes trechos para reflexão:

"A maioria de nós ouviu falar que Deus criou o Universo, tudo que existe dentro dele, empregando a profundidade de sua onipotência para criá-lo porque desejava comunhão com o ser humano. Você já ouviu antes essa linha de pensamento? É uma ideia muito doce e seria ótimo lema para um pôster motivacional cristão, não fosse verdade o que a Bíblia realmente ensina, e que torna tal ideia quase blasfema. Devemos acreditar que Deus - em sua perfeição infinita - estava se sentindo solitário? E que a resposta a essa solidão foi criar uma turma de ladrões de sua glória?  Seria essa a solução do Deus infinito ao hipotético desequilíbrio em seu bem-estar relacional? É o que muitos foram levados a acreditar. Por nossa percepção pessoal, queremos imaginar que um Deus santo, glorioso, esplêndido - total e unicamente perfeito na maravilha de sua Trindade - quis se colocar em uma sala de cores aconchegantes, aumentar a música romântica de fundo, olhar para nós e dizer: 'Você me faz completo'.

"Não. Não fomos criados como algum elo perdido na experiência emocional de Deus. Pensar assim seria tornar-nos o centro do enigma do Universo. Porém, não estamos nem próximos a esse centro!" (pág. 36)

"Enquanto escrevo este trecho, a 'Loucura de Março' está acontecendo. É o maior evento esportivo, como também o único local atlético em que Davi ainda pode vencer a Golias. Na verdade não existe outra competição igual, onde uma faculdade pequena, da qual nunca se ouviu falar, que tenha apenas uns oitocentos alunos, pode derrubar poderosas super estrelas no mundo do basquete. Mas eis uma característica de homens e mulheres caídos que amam a 'Loucura de Março': Nos Estados Unidos inteiro, os fãs ficam nervosos. Não estou brincando. Estão nervosos até as entranhas, querem tanto que seu time ganhe. Assistem aos jogos e gritam aos seus televisores: 'Não! Sim!' A criançada chora de medo; as esposas estão saindo para comprar mais nachos - é um caos. É uma loucura. Com a vitória vem a exaltação, e eles surfam mil locais da rede para ler o mesmo artigo mil vezes de novo. Com a derrota vem o espírito abatido e dias de luto e lástima, brigando com raiva em um blog sobre quem realmente merecia ou como o juiz errou na arbitragem.

"Cada um desses afetos, cada parcela dessa emoção e cada pedacinho dessa paixão nos foi dado por Deus, para Deus. Não foi dado para jogos de basquetebol.

"Onde está o nervosismo interno quando nos achegamos a uma assembleia daqueles que buscam a Deus? Onde a animação pela ressurreição? Onde a tristeza pelo pecado? Onde estão essas emoções? No jogo de basquete. No futebol. No romance. Em tuitar e blogar.

"Você realmente acredita que não merecemos o inferno?

"Graças a Deus por sua resposta a toda essa baboseira blasfema: a cruz de Cristo que absorve toda a ira." (pág. 59)

"Deus criou tudo, e tudo que fez era bom, mas aquilo que criou para ser bom não era um fim em si mesmo, foi-nos dado como bom para que nós fôssemos impelidos a adorá-lo. Noutras palavras, quando você e eu tomamos um bocado de comida, isso deveria nos induzir à adoração - não da comida, claro, mas do Criador dos alimentos. Quando eu ou você sentimos o abraço de nosso filho, isso deveria atiçar em nós a adoração. Ao sentir o calor do sol em nosso rosto, isso deveria nos levar a adoração. Quando sentimos o cheiro da chuva, isso deveria fazer com que adorássemos quem a fez. Poderíamos continuar com exemplo após exemplo, sem fim. A bondade da criação não é para declarar a si mesma, mas agir como sinaleiro que aponte para o céu. Por esta razão é que Paulo podia dizer: 'Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus' (1 Co 10.31). Ele trabalha com o pressuposto de que qualquer coisa que façamos deve ser feito para a glória de Deus." (pág. 122)

"Quando o pecado entrou no mundo e o dilacerou, Romanos 1.23 diz que trocamos Deus, o infinito criador, por sua criação. Ocorrendo isso, começamos a nos acomodar a prazeres transitórios e temporários ao invés daquilo que é eterno e satisfaz a alma.
  
"Dez anos atrás, você tinha em mente um retrato do que esperava de sua vida dez anos depois. Pensava que se conseguisse alcançar isso, seria feliz e satisfeito. Durante seus últimos dez anos, você tem dedicado sua energia - consciente ou inconscientemente - para chegar lá. A maioria de vocês pensava: 'Se apenas eu conseguir terminar os estudos, conseguir um bom emprego, arranjar um marido (uma esposa), ter filhos, ter dinheiro suficiente para passar boas férias, conseguir um carro que realmente funcione na maior parte do tempo, se eu apenas conseguisse isso, eu teria aquilo.' Mas a realidade é mesmo se conseguiu alcançar os seus alvos, você ainda não terminou, pois já substituiu o seu plano de dez anos por outro plano também para daqui a dez anos. Quase todos nós, quer admitamos quer não, temos comprado a filosofia de que aquilo que realmente precisamos para finalmente sermos felizes é ter mais do que já possuímos. Isso é loucura. Não tem sentido." (pág. 151) 

"O evangelho explícito mantém o evangelho no chão e no alto como sendo complementares, duas visões do mesmo plano redentor que Deus tem para o mundo, por meio da obra de seu Filho. Ao manter juntas essas perspectivas, fazemos jus ao modo multifacetado da Bíblia de proclamar as boas novas. Quando não as mantemos juntas ou afirmando uma exageradamente ou descartando (até mesmo rejeitando) a outra, criamos um desequilíbrio que conduz a toda espécie de erro bíblico." (pág. 207)

Creio que você não pode ficar sem ler este livro. Com certeza, será de grande proveito espiritual. Você pode adquiri-lo no site da Fiel (aqui) ou em uma livraria próxima à sua casa. Eu o comprei na última black friday :)

Ah, você pode, também, conferir o vídeo de divulgação do livro, abaixo:





Que Deus o abençoe e tenha um ótimo ano de boas leituras.

sexta-feira, janeiro 15, 2016

6 Inimigos Fatais do Casamento

O seguinte texto foi compartilhado por Tim Challies via Facebook, ontem. O texto é de 2014 (original aqui), mas ele continua bastante pertinente. Espero que Deus abençoe grandemente a nossa vida por meio desta leitura.

Que Deus seja glorificado.

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 6 Inimigos Fatais do Casamento

O casamento está sob ataque. O casamento sempre esteve sob ataque. O mundo, a carne e o diabo são todos fortemente opostos ao casamento, e especialmente a casamentos que são distintamente cristãos. O casamento, afinal, é dado por Deus para fortalecer seu povo e para glorificar a Si mesmo; não é de se admirar, então, por que ele é constantemente um grande campo de batalha.

Recentemente, eu tenho pensado sobre alguns dos principais inimigos do casamento cristão e, de fato, os principais inimigos que eu tenho visto rastejar para atacar o meu próprio casamento. Aqui estão 6 inimigos fatais do casamento e, em particular, do casamento cristão.

1) Negligência do Fundamento

O inimigo do casamento que merece estar no topo da lista é este: negligenciar o fundamento - negligenciar o fundamento bíblico. A Bíblia claramente mostra que o casamento é uma instituição decretada por Deus e uma instituição tem seu significado em glorificar a Deus por mostrar algo sobre Ele. O grande mistério do casamento é que o relacionamento pactual de marido e esposa é um retrato do relacionamento pactual de Cristo e Sua igreja. O casamento é de Deus, sobre Deus, para Deus, e por Deus, então, nós corremos o risco de negligenciar a Deus. É apenas quando o fundamento bíblico está em seu devido lugar que nós somos aptos a entender corretamente como um marido e uma esposa devem se relacionar, como eles devem assumir seus papéis distintos, e como eles devem buscar trazer glória a Deus tanto individualmente quanto como um casal. Construir o casamento sobre outro fundamento qualquer é negligenciar a rocha a fim de construir sobre a areia.

2) Negligência da Oração

A oração é nossa corda salva-vidas, o meio pelo qual nós louvamos a Deus, expressamos nossa gratidão, confessamos nosso pecado, e clamamos por ajuda. O casal que ora junto está confessando diante de Deus que eles são dependentes dEle, que eles são incapazes de prosperarem sem Ele. A oração privada é essencial para a vida cristã, e orar como um casal é essencial para o casamento cristão. Aqui, ajoelhados ao lado da cama ou assentados próximo à lareira, o marido e a esposa encontram-se com o Senhor juntos, louvando-O por Sua graça e benignidade, confessando os seus pecados contra Ele e contra um ao outro, e clamando por Sua sabedoria e ajuda. Quando a oração cessa, o casal está indiretamente proclamando que eles podem sobreviver e prosperar por eles próprios, que eles não precisam da assistência contínua de Deus, momento após momento. A falta de oração é um grande inimigo do casamento.

3) Negligência da Comunhão

Outro grande inimigo do casamento é a ausência de comunhão - comunhão com a igreja local. Satanás ama quando ele pode compelir um indivíduo a se afastar da igreja; quão melhor quando ele pode afastar um casal ou uma família inteira. Quando um casal de marido e mulher abandonam a igreja, ou mesmo quando "empurram com a barriga" para fazer o mínimo, eles estão deixando o lugar em que eles devem aprender o modelo do casamento sadio, onde eles são capazes de adorar lado a lado, juntos, onde eles encontrarão amigos com os quais eles podem expor o seu casamento e então ver e diagnosticar as suas lutas. O casamento floresce no contexto da igreja local e murcha fora dela. 

4) Negligência da Comunicação

Da mesma maneira que Satanás quer que um casal pare de se comunicar com Deus pela oração, ele também quer que o casal pare de se comunicar um com o outro. A comunicação livre, aberta e regular é a chave para qualquer relacionamento, e em nenhum mais que no casamento. Quando um casal é capaz e disposto a se comunicar, eles são capazes de admitir e lidarem com as dificuldades, eles são capazes de compartilhar tanto as alegrias quanto as tristezas que são inevitáveis em uma vida vivida em conjunto. Muitos casais param de se comunicar, ou talvez eles nunca aprenderam a fazê-lo. Ao invés de lidarem com as dificuldades, eles permitem que elas permaneçam, para apodrecer, e se tornarem tóxicas. A comunicação é a chave do casamento saudável, e a falta de comunicação é um inimigo perigoso.

5) Negligência dos Interesses Compartilhados

Quando um casal está namorando é raro para eles encontrar que eles não possuem nada em comum, que eles têm poucos interesses em comum. Mas à medida que o tempo passa, ao passo que eles se tornam marido e mulher e estão estabelecidos na vida normal, eles podem tão facilmente cair em suas rotinas separadas. Agora eles vivem sozinhos juntos, duas pessoas carregando as suas vidas separadas sob o mesmo teto. Interesses compartilhados motivam tempo compartilhado, conversa compartilhada, paixão compartilhada. Isto pode ser um hobby, pode ser uma atividade, pode até mesmo ser um programa de televisão, mas isto precisa ser algo. A negligência de interesses compartilhados é um grande inimigo para um casamento saudável.

6) Negligência do Sexo

Deus foi bom em providenciar o curioso e misterioso presente do sexo a fim de unir um marido e sua esposa juntos de uma maneira única. Sexo é o "Super Bonder" de um casamento saudável, e ainda assim muitos casais nunca estão longe de negligenciá-lo, seja substituindo-o por pornografia, ou por qualquer outra coisa. A Bíblia determina que marido e esposa sempre mantenham o relacionamento sexual, exceto em pouquíssimas circunstâncias - com acordo mútuo, por um curto período de tempo, a fim de se concentrarem na oração. Há momentos inevitáveis quando nada parece mais difícil que buscar o relacionamento sexual e nada parece mais fácil que negligenciá-lo, mas negligenciar o sexo é diretamente desobecer a Deus. Negligenciar o sexo é desprezar um dos maiores e indispensáveis dons de Deus.

Se Satanás não pode destruir um casamento, ele irá pelo menos lutar para enfraquecê-lo. Negligenciar qualquer uma dessas 6 coisas é convidar a sua presença e dar boas-vindas à sua influência.

"Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus; antes, falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus... não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus... E Temos, portanto, o mesmo espirito de fé, como está escrito: Cri, por isso falei; nós cremos também, por isso também falamos. Sabendo que o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também por Jesus, e nos apresentará convosco"

2 Coríntios 2:17; 3:5; 4:13-14