sábado, março 05, 2016

Os perigos de uma visão ingênua sobre o namoro cristão

"E dizia: O que sai do homem isso contamina o homem. Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as fornicações, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem" (Mc 7.20-23).

O namoro cristão é o início de uma árdua jornada. Ele não é um simples meio para o jovem casal ganhar inúmeras "curtidas" e receber muitos elogios nas redes sociais. Tampouco, ele é o meio pelo qual simplesmente afirmamos a nossa sexualidade - para que nossos pais e amigos testemunhem de que não somos "frouxos". Os passeios, as pizzas e os cinemas são coisas legais, mas eles estão longe de ser o sentido do namoro cristão. Na verdade, este é o início da jornada de um jovem e sua amiga rumo à cidade celestial; jornada esta, que eles decidiram percorrer juntos, compartilhando das alegrias e das dificuldades que os aguardam.

O jovem deve estar disposto a se submeter a Deus a fim de ser forjado por Ele e Sua Palavra para o difícil ministério de liderar a sua casa, amar a sua futura esposa como Cristo amou a igreja e a trabalhar exercendo os seus dons para a glória de Deus. A jovem, semelhantemente, deve engajar-se diante do Senhor para ser mulher sábia, virtuosa, que se submeterá ao seu futuro marido, no Senhor, e que servirá a Deus com uso de seus dons tanto na boa educação de seus filhos quanto em outras atividades que Ele colocar em suas mãos para fazer. 

Embora saibamos que a família cristã está há muito sob fortes ataques satânicos, seja por meio da sedução ao adultério, à infidelidade ou à falta de submissão à santa Palavra de Deus, precisamos nos prevenir dos perigos que estão logo no início deste caminho vivido a dois, os quais geralmente são oriundos de uma visão ingênua acerca do namoro.

1) O perigo de achar que não há perigo

Um dos principais problemas que assolam o namoro cristão é a ideia de que o jovem casal é puro - em um sentido infantil. No Facebook, já visualizei fotos de namorados em que a garota está sentada no colo do rapaz e as pessoas comentam "casal abençoado", "lindos!",  "que Deus continue abençoando vocês" e por aí vai... Esta espécie de comentário de aprovação por parte de terceiros demonstra a falta de conhecimento acerca da realidade de nosso próprio coração. O Senhor Jesus nos ensina que os maus pensamentos provêm do nosso interior. Nenhum de nós, pecadores, está imune a isso. Mesmo o casal mais "fofinho" e "santo" precisa vigiar o coração, certo de que nele há um potencial imensurável para a prática do mal, de modo que isto faça com que ele fuja de situações que o leve a pecar.

2) O perigo de achar que é possível "ir só até o limite"

Todo homem precisa conduzir a sua esposa em caminhos que não a leve ao pecado, e isto precisa ser aprendido logo cedo pelo jovem namorado. Há situações em que ambos se sentirão tentados a brincar com suas paixões, em busca de se manter à beira de seus limites. Se porventura você, caro jovem, encontrar-se em circunstância semelhante a estas, mude-a rapidamente. Não queira saber até onde você pode ir e não pecar (lembre-se de que a loucura também é proveniente de nosso coração).

3) O perigo de achar que o amor é cego

Deus tem o propósito de nos santificar e fazer com que amadureçamos em nossa caminhada cristã, e ele usa de maneira especial o nosso futuro cônjuge neste processo. Talvez um dos membros do casal seja propenso à preguiça, ao atraso nos compromissos, ou até mesmo seja tentado a inventar desculpas para evitar o arrependimento por seus erros. O casal precisa tratar disso. Isto não é brincadeira. É necessário que os jovens namorados aprendam a conversar sobre suas lutas e a apresentar um ao outro diante do Senhor em oração. Se um dos dois não consegue ver falha alguma no outro, mesmo depois de alguns meses de namoro, é bem provável que este relacionamento seja marcado por idolatria e falta de discernimento bíblico.

Que Deus nos ajude a sermos vigilantes contra esses perigos.

quinta-feira, janeiro 28, 2016

Dica de leitura: Evangelho Explícito

 

O livro Evangelho Explícito (editora Fiel) foi escrito por Matt Chandler (em colaboração com Jared Wilson). Ele contém 266 páginas muito bem escritas e é uma ótima sugestão para compor a sua meta de leitura de 2016.

O Evangelho Explícito divide-se basicamente em duas partes principais: o Evangelho no chão e o Evangelho no ar. A primeira está relacionada com a questão mais pessoal do Evangelho e trata dos temas "Deus", "Homem", "Cristo" e "Resposta". A segunda parte principal do livro aborda os temas "Criação", "Queda", "Reconciliação" e "Consumação", de maneira que o Evangelho no ar tem a ver com o aspecto mais abrangente do plano de redenção providenciado pelo Senhor. 

Estas duas perspectivas do Evangelho são analisadas ao longo do livro de modo simples, prático e, ao mesmo tempo, bastante teológico. Matt Chandler é um pastor relativamente novo, e possui um bom senso de humor. Entretanto, de modo nenhum, isso torna o livro menos grave quanto ao ensino do Evangelho - até porque ele usa algumas expressões engraçadas em trechos específicos de sua obra. Na verdade, a maneira utilizada por Chandler nos leva a entender verdades profundas de modo fácil. Por isso, o livro pode ser lido facilmente por pessoas que tiveram pouco contato com a Palavra de Deus.

Este é o ponto central do livro: ensinar o verdadeiro Evangelho tanto a pessoas que cresceram em um ambiente de igreja, participando de corais, escolas dominicais, retiros e inúmeras outras atividades de igreja, quanto a pessoas que nunca sequer participaram de um culto cristão, mas que possuem em comum o fato de não terem ouvido as Boas Novas de Jesus. Muitos talvez até tenham tentado fazer o melhor deles para que Deus sorrisse para eles, ou então tenham brincado de "eu faço isso e o Senhor me abençoa". Mas a verdade é que a transformação operada por meio do genuíno ensino da Palavra nunca ocorreu em suas vidas legalistas.

Após abordar os Evangelhos no chão e no ar, Chandler ensina uma série de aplicações e implicações de ter o Evangelho como um todo em vista, evitando a supervalorização do aspecto pessoal do Evangelho (no chão) ou de seu aspecto universal (no ar). Dentre estas, o autor mostra como as heresias geralmente surgem de verdades bíblicas que foram valorizadas demasiadamente, em detrimento das verdades que as mantêm em equilíbrio (por exemplo, o Hipercalvinismo é uma ênfase demasiada na soberania de Deus em detrimento da responsabilidade humana). Ao fim desta parte do livro, Matt Chandler fala sobre moralismo e Evangelho - é um dos capítulos mais marcantes de todo o livro. 

Para que você tenha noção do que estou falando, eu separei os seguintes trechos para reflexão:

"A maioria de nós ouviu falar que Deus criou o Universo, tudo que existe dentro dele, empregando a profundidade de sua onipotência para criá-lo porque desejava comunhão com o ser humano. Você já ouviu antes essa linha de pensamento? É uma ideia muito doce e seria ótimo lema para um pôster motivacional cristão, não fosse verdade o que a Bíblia realmente ensina, e que torna tal ideia quase blasfema. Devemos acreditar que Deus - em sua perfeição infinita - estava se sentindo solitário? E que a resposta a essa solidão foi criar uma turma de ladrões de sua glória?  Seria essa a solução do Deus infinito ao hipotético desequilíbrio em seu bem-estar relacional? É o que muitos foram levados a acreditar. Por nossa percepção pessoal, queremos imaginar que um Deus santo, glorioso, esplêndido - total e unicamente perfeito na maravilha de sua Trindade - quis se colocar em uma sala de cores aconchegantes, aumentar a música romântica de fundo, olhar para nós e dizer: 'Você me faz completo'.

"Não. Não fomos criados como algum elo perdido na experiência emocional de Deus. Pensar assim seria tornar-nos o centro do enigma do Universo. Porém, não estamos nem próximos a esse centro!" (pág. 36)

"Enquanto escrevo este trecho, a 'Loucura de Março' está acontecendo. É o maior evento esportivo, como também o único local atlético em que Davi ainda pode vencer a Golias. Na verdade não existe outra competição igual, onde uma faculdade pequena, da qual nunca se ouviu falar, que tenha apenas uns oitocentos alunos, pode derrubar poderosas super estrelas no mundo do basquete. Mas eis uma característica de homens e mulheres caídos que amam a 'Loucura de Março': Nos Estados Unidos inteiro, os fãs ficam nervosos. Não estou brincando. Estão nervosos até as entranhas, querem tanto que seu time ganhe. Assistem aos jogos e gritam aos seus televisores: 'Não! Sim!' A criançada chora de medo; as esposas estão saindo para comprar mais nachos - é um caos. É uma loucura. Com a vitória vem a exaltação, e eles surfam mil locais da rede para ler o mesmo artigo mil vezes de novo. Com a derrota vem o espírito abatido e dias de luto e lástima, brigando com raiva em um blog sobre quem realmente merecia ou como o juiz errou na arbitragem.

"Cada um desses afetos, cada parcela dessa emoção e cada pedacinho dessa paixão nos foi dado por Deus, para Deus. Não foi dado para jogos de basquetebol.

"Onde está o nervosismo interno quando nos achegamos a uma assembleia daqueles que buscam a Deus? Onde a animação pela ressurreição? Onde a tristeza pelo pecado? Onde estão essas emoções? No jogo de basquete. No futebol. No romance. Em tuitar e blogar.

"Você realmente acredita que não merecemos o inferno?

"Graças a Deus por sua resposta a toda essa baboseira blasfema: a cruz de Cristo que absorve toda a ira." (pág. 59)

"Deus criou tudo, e tudo que fez era bom, mas aquilo que criou para ser bom não era um fim em si mesmo, foi-nos dado como bom para que nós fôssemos impelidos a adorá-lo. Noutras palavras, quando você e eu tomamos um bocado de comida, isso deveria nos induzir à adoração - não da comida, claro, mas do Criador dos alimentos. Quando eu ou você sentimos o abraço de nosso filho, isso deveria atiçar em nós a adoração. Ao sentir o calor do sol em nosso rosto, isso deveria nos levar a adoração. Quando sentimos o cheiro da chuva, isso deveria fazer com que adorássemos quem a fez. Poderíamos continuar com exemplo após exemplo, sem fim. A bondade da criação não é para declarar a si mesma, mas agir como sinaleiro que aponte para o céu. Por esta razão é que Paulo podia dizer: 'Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus' (1 Co 10.31). Ele trabalha com o pressuposto de que qualquer coisa que façamos deve ser feito para a glória de Deus." (pág. 122)

"Quando o pecado entrou no mundo e o dilacerou, Romanos 1.23 diz que trocamos Deus, o infinito criador, por sua criação. Ocorrendo isso, começamos a nos acomodar a prazeres transitórios e temporários ao invés daquilo que é eterno e satisfaz a alma.
  
"Dez anos atrás, você tinha em mente um retrato do que esperava de sua vida dez anos depois. Pensava que se conseguisse alcançar isso, seria feliz e satisfeito. Durante seus últimos dez anos, você tem dedicado sua energia - consciente ou inconscientemente - para chegar lá. A maioria de vocês pensava: 'Se apenas eu conseguir terminar os estudos, conseguir um bom emprego, arranjar um marido (uma esposa), ter filhos, ter dinheiro suficiente para passar boas férias, conseguir um carro que realmente funcione na maior parte do tempo, se eu apenas conseguisse isso, eu teria aquilo.' Mas a realidade é mesmo se conseguiu alcançar os seus alvos, você ainda não terminou, pois já substituiu o seu plano de dez anos por outro plano também para daqui a dez anos. Quase todos nós, quer admitamos quer não, temos comprado a filosofia de que aquilo que realmente precisamos para finalmente sermos felizes é ter mais do que já possuímos. Isso é loucura. Não tem sentido." (pág. 151) 

"O evangelho explícito mantém o evangelho no chão e no alto como sendo complementares, duas visões do mesmo plano redentor que Deus tem para o mundo, por meio da obra de seu Filho. Ao manter juntas essas perspectivas, fazemos jus ao modo multifacetado da Bíblia de proclamar as boas novas. Quando não as mantemos juntas ou afirmando uma exageradamente ou descartando (até mesmo rejeitando) a outra, criamos um desequilíbrio que conduz a toda espécie de erro bíblico." (pág. 207)

Creio que você não pode ficar sem ler este livro. Com certeza, será de grande proveito espiritual. Você pode adquiri-lo no site da Fiel (aqui) ou em uma livraria próxima à sua casa. Eu o comprei na última black friday :)

Ah, você pode, também, conferir o vídeo de divulgação do livro, abaixo:





Que Deus o abençoe e tenha um ótimo ano de boas leituras.

sexta-feira, janeiro 15, 2016

6 Inimigos Fatais do Casamento

O seguinte texto foi compartilhado por Tim Challies via Facebook, ontem. O texto é de 2014 (original aqui), mas ele continua bastante pertinente. Espero que Deus abençoe grandemente a nossa vida por meio desta leitura.

Que Deus seja glorificado.

                    *********************************************************
 6 Inimigos Fatais do Casamento

O casamento está sob ataque. O casamento sempre esteve sob ataque. O mundo, a carne e o diabo são todos fortemente opostos ao casamento, e especialmente a casamentos que são distintamente cristãos. O casamento, afinal, é dado por Deus para fortalecer seu povo e para glorificar a Si mesmo; não é de se admirar, então, por que ele é constantemente um grande campo de batalha.

Recentemente, eu tenho pensado sobre alguns dos principais inimigos do casamento cristão e, de fato, os principais inimigos que eu tenho visto rastejar para atacar o meu próprio casamento. Aqui estão 6 inimigos fatais do casamento e, em particular, do casamento cristão.

1) Negligência do Fundamento

O inimigo do casamento que merece estar no topo da lista é este: negligenciar o fundamento - negligenciar o fundamento bíblico. A Bíblia claramente mostra que o casamento é uma instituição decretada por Deus e uma instituição tem seu significado em glorificar a Deus por mostrar algo sobre Ele. O grande mistério do casamento é que o relacionamento pactual de marido e esposa é um retrato do relacionamento pactual de Cristo e Sua igreja. O casamento é de Deus, sobre Deus, para Deus, e por Deus, então, nós corremos o risco de negligenciar a Deus. É apenas quando o fundamento bíblico está em seu devido lugar que nós somos aptos a entender corretamente como um marido e uma esposa devem se relacionar, como eles devem assumir seus papéis distintos, e como eles devem buscar trazer glória a Deus tanto individualmente quanto como um casal. Construir o casamento sobre outro fundamento qualquer é negligenciar a rocha a fim de construir sobre a areia.

2) Negligência da Oração

A oração é nossa corda salva-vidas, o meio pelo qual nós louvamos a Deus, expressamos nossa gratidão, confessamos nosso pecado, e clamamos por ajuda. O casal que ora junto está confessando diante de Deus que eles são dependentes dEle, que eles são incapazes de prosperarem sem Ele. A oração privada é essencial para a vida cristã, e orar como um casal é essencial para o casamento cristão. Aqui, ajoelhados ao lado da cama ou assentados próximo à lareira, o marido e a esposa encontram-se com o Senhor juntos, louvando-O por Sua graça e benignidade, confessando os seus pecados contra Ele e contra um ao outro, e clamando por Sua sabedoria e ajuda. Quando a oração cessa, o casal está indiretamente proclamando que eles podem sobreviver e prosperar por eles próprios, que eles não precisam da assistência contínua de Deus, momento após momento. A falta de oração é um grande inimigo do casamento.

3) Negligência da Comunhão

Outro grande inimigo do casamento é a ausência de comunhão - comunhão com a igreja local. Satanás ama quando ele pode compelir um indivíduo a se afastar da igreja; quão melhor quando ele pode afastar um casal ou uma família inteira. Quando um casal de marido e mulher abandonam a igreja, ou mesmo quando "empurram com a barriga" para fazer o mínimo, eles estão deixando o lugar em que eles devem aprender o modelo do casamento sadio, onde eles são capazes de adorar lado a lado, juntos, onde eles encontrarão amigos com os quais eles podem expor o seu casamento e então ver e diagnosticar as suas lutas. O casamento floresce no contexto da igreja local e murcha fora dela. 

4) Negligência da Comunicação

Da mesma maneira que Satanás quer que um casal pare de se comunicar com Deus pela oração, ele também quer que o casal pare de se comunicar um com o outro. A comunicação livre, aberta e regular é a chave para qualquer relacionamento, e em nenhum mais que no casamento. Quando um casal é capaz e disposto a se comunicar, eles são capazes de admitir e lidarem com as dificuldades, eles são capazes de compartilhar tanto as alegrias quanto as tristezas que são inevitáveis em uma vida vivida em conjunto. Muitos casais param de se comunicar, ou talvez eles nunca aprenderam a fazê-lo. Ao invés de lidarem com as dificuldades, eles permitem que elas permaneçam, para apodrecer, e se tornarem tóxicas. A comunicação é a chave do casamento saudável, e a falta de comunicação é um inimigo perigoso.

5) Negligência dos Interesses Compartilhados

Quando um casal está namorando é raro para eles encontrar que eles não possuem nada em comum, que eles têm poucos interesses em comum. Mas à medida que o tempo passa, ao passo que eles se tornam marido e mulher e estão estabelecidos na vida normal, eles podem tão facilmente cair em suas rotinas separadas. Agora eles vivem sozinhos juntos, duas pessoas carregando as suas vidas separadas sob o mesmo teto. Interesses compartilhados motivam tempo compartilhado, conversa compartilhada, paixão compartilhada. Isto pode ser um hobby, pode ser uma atividade, pode até mesmo ser um programa de televisão, mas isto precisa ser algo. A negligência de interesses compartilhados é um grande inimigo para um casamento saudável.

6) Negligência do Sexo

Deus foi bom em providenciar o curioso e misterioso presente do sexo a fim de unir um marido e sua esposa juntos de uma maneira única. Sexo é o "Super Bonder" de um casamento saudável, e ainda assim muitos casais nunca estão longe de negligenciá-lo, seja substituindo-o por pornografia, ou por qualquer outra coisa. A Bíblia determina que marido e esposa sempre mantenham o relacionamento sexual, exceto em pouquíssimas circunstâncias - com acordo mútuo, por um curto período de tempo, a fim de se concentrarem na oração. Há momentos inevitáveis quando nada parece mais difícil que buscar o relacionamento sexual e nada parece mais fácil que negligenciá-lo, mas negligenciar o sexo é diretamente desobecer a Deus. Negligenciar o sexo é desprezar um dos maiores e indispensáveis dons de Deus.

Se Satanás não pode destruir um casamento, ele irá pelo menos lutar para enfraquecê-lo. Negligenciar qualquer uma dessas 6 coisas é convidar a sua presença e dar boas-vindas à sua influência.

quinta-feira, dezembro 31, 2015

GQL 2015: Como ferros afiados pelo ferro.



Parece que foi ontem, mas se passaram 10 anos desde a formação do grupo que foi intitulado de "Geração que Lamba". O grupo nada mais era do que quatro amigos,  recém-saídos da adolescência (com exceção de Nilton Rodolfo, Janyson Costa se ligaria intimamente ao grupo mais tarde), que faziam parte da Missão com Adolescentes da Igreja-Mãe da Assembleia de Deus. Particularmente não havia nada de diferente ou especial em nós, a não ser, talvez, que tínhamos um histórico de vida mundana e pecaminosa, em certo sentido, acentuado. Porém, pela graça de Deus, a despeito de nossas fraquezas, tínhamos um interesse comum: A leitura da Bíblia, a vida com Deus e a saúde da igreja. Obviamente, não se pode dizer que os jovens daquela época são os mesmo de dez anos depois. Como já relatei anteriormente, houve certa mudanças no que tange a maturidade, conhecimento bíblico e prático e experiência, tanto pessoais, quanto ministeriais, porém o objetivo, pela graça de Deus, permaneceu o mesmo e certamente houve uma mudança em um aspecto importante: Na experiência cristã, as batalhas só terminam no céu.

O ano de 2015 foi um ano de provação, reflexão e igualmente de grandes bênçãos da parte do Senhor. Neste ano nasceu Manuela, filha de Carlos Eduardo, e Bernardo, meu amado filho. Há dez anos atrás certamente nem eu ou Eduardo poderíamos imaginar que depois de uma década seríamos chamados de "papai".

No âmbito eclesiástico, as bênçãos igualmente foram grandes: novos irmãos em Cristo, a Conferência Graphe indo de vento em popa, a adquirição de novos e empolgantes livros...

Porém nem tudo são flores, nem no âmbito pessoal, nem eclesiástico. A bem da verdade, não há um palco onde se travam batalhas tão vivas quanto em uma congregação local. Algo que, numa mega-igreja, dificilmente se experimenta. No âmbito pessoal temos aflições, ansiedades, temores quanto ao futuro, assim também como no âmbito eclesiástico uma boa dose stress, surpresas e desafios. "Combates por fora, temores por dentro" (2 Co 7.5). Os sofrimentos do apóstolo Paulo são experimentados, em certa medida, por todo cristão. "Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados" (2 Co 4.8). Pois sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8.28). Ou seja, mesmo todos os problemas e aflições não são em vão na vida do crente, mas todas as coisas contribuem para que Deus realize seu propósito em nossa vida: A consumação da nossa salvação planejada na eternidade. Por isso, podemos dizer que somos mais do que vencedores por Aquele que nos amou. Sem dúvida, durante todo o 2015, posso dizer que durante esses dez anos, a amizade continua. Sem dúvida que, assim como um velho navio durante muito tempo no mar, já sofreu avarias, brechas, possíveis inundações e até mesmo momentos de solidão, porém "como ferro que afia o ferro, assim o homem afia o rosto de seu amigo" pois "assim como  o rosto na água corresponde o rosto, assim o coração do homem reflete o homem" (Pv 27.17;19). Em 2005, a leitura da Bíblia, a vida cristã e a saúde da igreja foram elementos nos quais Deus nos uniu. Por isso, em 2015, podemos olhar para trás e vemos o quanto nossos rostos foram afiados, e podemos ver o quão afiados ainda estes rostos ainda precisam ser. Mas pela graça, muito o meu próprio rosto ainda será, pois não conto com conhecidos, mas com amigos, com irmãos em Cristo.

O foco, portanto, não é tentar adivinhar o futuro e controlá-lo, mas sim confiar na santa Providência de Deus, pois sabemos que, como Pai amoroso, tem cuidado de nós e até aqui tem nos ajudado; nós, que não somos simplesmente uma "geração que lamba", mas pela graça, somos também "Servorum Dei".

Que Deus abençoe ricamente nossos irmãos e leitores em 2016. 

 Feliz Ano Novo!
Soli Deo Gloria



Como Finalizar Mais de 100 Livros em 2016 (e alguns comentários próprios)

O seguinte texto foi postado por Tim Challies em seu site (original aqui), hoje pela manhã. Achei bastante interessante a sua abordagem e, por isso, aventurei-me a traduzi-lo - desculpem-me os erros :) Após o texto do Challies, eu faço alguns poucos comentários, esperando que eles sirvam para um 2016 melhor. 

            * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Como Finalizar Mais de 100 Livros em 2016

Você irá assumir o desafio de leitura para 2016? Eu conversei com minha família acerca disso e nós decidimos formar um time para cumpri-lo. Nós já temos o plano, estamos prontos para começar, e estamos apenas esperando o dia primeiro de Janeiro. Se você faz isso só ou com outros, 100 livros num ano pode soar intimidador. Mas ainda muitas pessoas (eu me incluo) leem regularmente neste ritmo. Meu amigo Bryan DeWire escreveu um pequeno artigo para dizer como ele leu 112 livros em 2015, e como ele deseja encorajá-lo a tentar a ter como objetivo a leitura de muitos livros também.

Neste ano passado, o meu objetivo foi finalizar 111 livros. Pela graça de Deus, eu finalizei 112. Por que 111? Meu record anterior foi 110. Isto significa que eu tipicamente planejo finalizar pelo menos 2 livros por semana.

Isso pode soar totalmente fora de seu alcance. Mas você pode ser surpreendido em ouvir que isso é bastante factível. Eu não sou um leitor rápido. Meu forte é notar detalhes.  Eu amo o copyedit. Ou seja, eu leio cada palavra e as leio bastante lentamente. E eu sou o tipo de nerd que não considera que li um livro se eu não li também as notas de rodapé - e tudo da capa - e todo o conteúdo da frente e da costa. Sim, mesmo a página do copyright! Conclusão: Se eu posso fazê-lo, então você pode! [Nota: Você não precisa ler todas as coisas para considerar um livro completo!]

De fato, o número de livros que você lê é algo arbitrário. O principal objetivo é amar a Deus com toda a sua mente à medida que você se engaja em vários trabalhos de teologia, negócios, ficção, e assim por diante (Mateus 22:37). Seria melhor dominar poucos livros que pincelar levemente centenas de livros apenas para dizer que você os leu. Este não é o ponto. Mas eu tenho verificado que posso, surpreendentemente, completar a leitura pelo estabelecimento dos três seguintes hábitos:

1. Tenha um Objetivo Específico em Mente

Muitas vezes, nós falhamos em realizar muito, simplesmente porque nós não planejamos bastante fazê-lo. O princípio se aplica à leitura bíblica e à oração, e isso é aplicável também à leitura de outros livros. Então, eis aqui algumas ideias: 

Talvez você possa listar os 20 livros que você deseja ler, e mesmo colocá-los em ordem de seu interesse. Então você pode se comprometer em lê-los durante 2016. Isto não resulta nem em 2 livros por mês. 

Ou talvez você possa assumir o Desafio de Leitura de 2016 de Tim Challies. Dentro deste desafio, você pode escolher 13, 26, 52, 104, ou (com crédito extra) todos os 109 livros durante o ano. Este desafio é atraente para mim porque o plano de Tim me encorajará a ler diferentes tipos de livros além do que eu leio normalmente. Mais, estão havendo algumas grandes discussões sobre isso no grupo de Boas Leituras,  TV Desafio de Leitura (TV é abreviação para Teologia Visual, a série de imagens que Tim posta em seu site). O grupo tem me dado prestação de contas, recomendações, e amizade. 

Muito frequentemente, quando você não deseja nada, você bate a meta! Então faça um plano.

2. Anote os Livros Que Você Finalizar

Enquanto eu tenha feito isso durante certas temporadas antes, 2015 foi o primeiro ano em que eu consistentemente guardei uma lista de livros que completei (a qual inclui audiobooks que eu ouvi e alguns livros infantis de 100 páginas). Eu simplesmente guardei uma lista numerada de títulos que eu finalizei e as datas que eu os completei. Por exemplo, eis um "print" dos livros que li em Novembro (meu melhor mês do ano):

Vendo esta lista ficando maior ao longo do ano, me motivou a continuar. É encorajador ver o que você pode fazer quando você simplesmente se lança em algo consistentemente. Mais, se você tomar o Desafio de Leitura de 2016, é muito mais fácil controlar o que você está lendo!  

3. Estabeleça Limites para o Uso de Entretenimento 

Eu já disse que meu record anterior foi 110 livros em um ano. O que eu não disse foi que eu li todos estes muitos livros em 2004. São 11 anos atrás! Desde então, as distrações em minha vida se multiplicaram: tendo um iPhone, MacBook, Twitter, Facebook e muito mais.

Então, eu decidi: Eu posso fazer isso. Eu apenas preciso ser mais intencional. Eu preciso definir limites melhores e talvez mesmo abandonar certas coisas, pelo menos temporariamente, se não para o bem. Eis aqui algumas pequenas mudanças que você poderia considerar fazer:

- Apenas cheque Twitter, Facebook, YouTube, e e-mail em certos períodos. Apenas não os cheque continuamente! Nós estamos literalmente reprogramando nossos cérebros quando nós checamos essas coisas de novo e de novo e novamente.

- Apenas use o seu computador, smartphone, e a TV após o jantar (ou 19h00 ou qualquer outro horário que funcione para você).

- Resolva gastar apenas um certo tempo todo dia nessas tecnologias. Defina um horário e siga-o. 

Se você tem esquecido como é isto, siga alguns passos e redescubra a alegria de se perder em um grande livro!
            * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * 

O texto de Challies é bastante pertinente. Ele pontuou algumas coisas que já havia pensado antes, especialmente em relação ao gastar tempo demasiado nas redes sociais. Durante este ano, busquei trocar o tempo no Facebook por uma boa leitura - embora nem sempre eu tenha sido bem-sucedido.

Outro aspecto importante, é que se ficarmos brincando (sem propósito definido) nas redes sociais, sofreremos grandes tentações devido ao ócio e, portanto, estaremos vulneráveis a pecar - seja pela procrastinação de nossos compromissos legítimos, seja pela tendência de vermos ou ouvirmos o que não convém.

Sobre o desafio de leitura, de fato, mesmo com as dicas que ele dá, ler cem livros em um ano ainda me parece um tanto quanto difícil. Sejam pelas questões financeiras envolvidas (os livros são caros no Brasil), sejam pelos outros compromissos que demandam bastante tempo. Contudo, se conseguirmos manter um ritmo de 24 livros por ano, ou seja, de lermos pelo menos 2 livros por mês, creio que será um grande progresso para todos nós. O hábito de ler é ferramenta indispensável para o nosso crescimento pessoal e espiritual. E, sem dúvida, se de fato gastarmos menos tempo no Whatsapp, Facebook e cia, conseguiremos ler os 24 livros (fora a Bíblia inteira) de nossa meta, muito bem.    

Concluo os meus comentários, esperando que Deus nos ajude a usar o nosso tempo bem, para a glória de Seu Nome, sabendo que o tempo com boas literaturas é fundamental neste contexto. Em outra possibilidade, quem sabe nós do Servorum Dei possamos indicar alguns livros que têm sido nossos companheiros e outros que estamos paquerando - os quais podem compor a nossa meta de 24 livros para 2016. 

Que Deus seja glorificado.  

quinta-feira, dezembro 24, 2015

Natal: o nascimento do Filho Eterno


"E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade" Miqueias 5:2

"Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel". Isaías 7:14


Os tempos não eram fáceis para Miqueias, que exerceu seu ministério durante o reinado de Jotão, Acaz e Ezequias, em especial esses dois últimos.  Contemporâneo de Isaías, com quem certamente teve um bom relacionamento e com quem até mesmo ministrou juntamente a Palavra de Deus, como seu próprio livro demonstra (Cf Mq 4.2-3; Is Is 2.1-4). Ainda quem possuam características distintas como pessoa, vida e ministério, tanto o profeta aristocrático de Israel, de língua erudita, quanto o profeta rural compartilharam uma importante revelação: O Renovo, a raiz de Jessé, o messias prometido. 

De maneria incrível, ambos profetizaram acerca do nascimento do messias. Isaías falou de seu nascimento sobrenatural, Miqueias falou de onde ocorreria tal nascimento. Porém, a bem da verdade, a descrição que Miqueias dá acerca do Messias é igualmente sublime: O messias nasceria em Belém, porém sua saídas (i.e. suas origens) são desde os tempos antigos, desde a Eternidade. O profeta Isaías chama o menino que nasceu de maravilhoso, ou seja, alguém que está além da compreensão. Isso é um fato. Nunca conseguiremos compreender plenamente ou exaurir plenamente a beleza e magnificência de Jesus, pois aquele que nasceu no tempo é aquele que vem da eternidade, aquele cuja presença nem os céus e nem os céus do céus podem conter, n'Ele habita corporalmente toda a plenitude da divindade. Ele é Deus manifesto na carne (1 Tm 3.1). Isso está além da compreensão humana, mas ao mesmo tempo é nosso amado irmão, pois vimos a sua glória, Ele é Emanuel, Deus conosco, aquele em quem podemos ver a face de Deus. Certamente tanto Miqueias quanto Isaías tem muito a falar deste menino, além de suas características, também da razão de sua vinda. Dentre as quais podemos citar:

a) Ele viria para revelar: Ele é o Deus forte, aquele que vem da eternidade, pois é o Pai dela. Em Jesus, podemos nos relacionar e conhecer a Deus em intimidade, pois "Ninguém conhece quem é o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho quiser revelar". Somente através dele é que temos o verdadeiro conhecimento de Deus, através d'ele experimentamos que DEUS NOS AMA. Através dele vemos que Deus está perto, e não longe, pois ELE é o Deus do universo, mas também é o que habitou entre nós. No dizer de Joel Beeke: "Que seja seu conforto saber que quando nosso redentor veio a este mundo, ele não cessou de ser Deus. Quando ele ascendeu aos céus, ele não deixou de ser homem"(1).

b) Ele viria para Reinar: Ele é o rei de Israel, mas também é o rei dos reis e Senhor dos senhores, que um dia virá em glória! Nenhum governo humano pode permanecer diante daquele a quem a terra e o céu irão fugir (Ap 20.11). Tal reino é eterno.

c) Ele viria para condenar e salvar: Ninguém pode, diante do evangelho, ficar absolutamente indiferente a Cristo. Mesmo os que ignoram, estão manifestando sua rebelião, e também sua queda, os que manifestam arrependimento e fé, são os culpados aos quais levanta, os espiritualmente mortos que voltam a viver para Deus, e de forma alguma serão condenados. Jesus é aquele que nasceu para a queda e ascensão de muitos em Israel, e de fato, é  a pedra angular a qual muitos tropeçam e caem, mas os que confiam nele não serão confundidos.

Há infinitas outras razões, mas por certo, podemos estar certos disso, juntamente com Samuel Rutherford: "Minha salvação foi o segundo grande milagre que Deus fez, o primeiro foi a Sua encarnação". Na encarnação e nascimento de Cristo temos o início do evangelho. É importante atentarmos mais diligentemente para as palavras do anjo diante dos pastores em Lucas: "Eis que vos trago novas de grande alegria" (Lc 2.10). A bem da verdade, a partir da língua original, poderíamos traduzir as palavras do anjo com  "Eis que vos trago evangelho (gr. eaungelizomai), uma grande alegria...", o anjo trouxe aos pastores o evangelho, as boas novas, a  boa vontade para com os homens.

Diante disso, só podemos fazer como os pastores: "vamos até Belém". Vamos até este menino. Igualmente, pela fé, descansemos e que n'Ele, tenhamos paz e alegrias infinitas. Que neste natal possamos experimentar a presença do Emanuel em nossa vida, o evangelho de grande alegria, a boa vontade de Deus para com os homens. Nas palavras de Isaac Watts: "Alegrem-se as nações, o Senhor reina, que a terra receba seu Rei".

Desejamos um feliz Natal a todos!

Soli Deo Gloria

Notas:

1. Disponível em:< http://www.joelbeeke.org/2015/12/best-wishes-in-christ-jesus/> . Devo a Joel Beeke a citação de Samuel Rutherford.

segunda-feira, novembro 02, 2015

Eu preciso saber teologia para namorar?

"Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela. Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra. Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível" (Ef 5.25-27).

O namoro cristão adequado é uma bênção de Deus. Ele é algo muito bem definido: o caminho em direção ao casamento. Não podemos conceber um namoro sem o intuito do casamento, pois, se no casamento há a formação de uma nova família (como de fato há), necessariamente, no namoro, deve-se pensar seriamente acerca desta futura família. Não podemos namorar sem propósito. Ele não é uma brincadeira nem um simples passatempo.
  
Deus é Senhor sobre a família. Os papeis de marido e de esposa estão descritos em Sua santa Palavra. Neste contexto, conforme acima citado, um aspecto central do ministério masculino é o ensino. É função fundamental do marido cristão santificar a sua esposa pelo ensino da Palavra de Deus. Um homem obediente ao Senhor não pode fugir desta importante tarefa. Com base nisto, pensemos acerca da importante questão: é necessário que saibamos teologia para namorar?
  
Se entendermos o termo "teologia" como o estudo acadêmico da Palavra de Deus, o qual sugere a formação de um obreiro a ser ordenado para trabalhar formalmente em uma congregação - obreiro este que é grande conhecedor das línguas originais da Bíblia, Homilética, Filosofia, Sociologia, Literatura e coisas afins -, a resposta é: não, não necessariamente. Porém, se considerarmos "teologia" como conhecer a Bíblia e pensar a vida com base nela, devemos responder à pergunta com um retumbante "sim!"
  
Precisamos tratar isso com a maior seriedade. O dia do casamento não opera milagres. Não podemos cair no erro de achar que podemos ser preguiçosos, ignorantes e, até mesmo, descompromissados com Deus durante o nosso tempo enquanto solteiros, namorados e noivos; e que no grande dia do casamento, miraculosamente, receberemos tudo o que precisamos para sermos bons maridos, pais e profissionais. Não é simples assim.
  
O tempo de solteiro é importantíssimo. Com certeza, o nosso tempo livre enquanto solteiros é bem maior em relação ao que teremos quando estivermos casados, se assim Deus o permitir. Por isso, nesta ocasião, um jovem cristão precisa aprender uma das coisas mais importantes da vida: a prática da boa leitura. É claro que há tempo para lazer e diversão sadios, mas é imprescindível que haja bastante tempo gasto com leitura. Aprender a ler capacita um jovem a ter sucesso em seus compromissos escolares e, especialmente, na construção de uma vida pautada na Bíblia. Esta vida bíblica é construída através do engajar-se na leitura integral da Palavra de Deus uma vez por ano, na leitura de bons autores cristãos - tais como Charles Spurgeon, Martyn-Lloyd Jones e James Packer - sobre os mais variados temas - em especial, acerca das doutrinas fundamentais da fé cristã (teologia sistemática). Isto envolve a leitura de bons livros de ficção - se você ainda não leu o Peregrino de John Bunyan, não perca tempo em fazê-lo -, os quais desenvolvem a criatividade e auxiliam no entendimento de conceitos importantes de maneira simples e prática.
  
Obviamente, a leitura deverá ser uma prática constante no casamento; entretanto, não haverá a possibilidade de, por exemplo, passarmos bons dias deitados na rede ou no sofá devorando um monte de livros durante as férias. Ou tomar açaí, ler, cochilar um pouco, e tornar a ler, com o coração despreocupado com outros compromissos. Portanto, a hora é agora. Pedindo graça de Deus, sabedoria e temor, devemos desenvolver a leitura e, consequentemente, a nossa teologia, agora. Disciplinando-nos em nossa concentração, aprofundando-nos em nosso conhecimento de Deus e de Sua criação, a fim de sermos bons maridos e pais, não apenas para o bem de nossas futuras esposa e família, e sim, em primeiro lugar, para o louvor e glória de nosso bom Deus. 

Que Deus seja glorificado.

"Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus; antes, falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus... não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus... E Temos, portanto, o mesmo espirito de fé, como está escrito: Cri, por isso falei; nós cremos também, por isso também falamos. Sabendo que o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também por Jesus, e nos apresentará convosco"

2 Coríntios 2:17; 3:5; 4:13-14